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A busca da sentido

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Por: Hellen Reis Mourão Joseph Campbell em sua obra O Poder do Mito, afirma que a experiência que o ser humano mais procura é a de se sentir vivo. Essa seria a base do sentido da vida. Infelizmente hoje uma profusão de doenças psíquicas como a depressão - que vem se tornando o mal do século - ocorre devido a um embotamento do homem em relação a si próprio e a vida. A maioria de nós não sabe qual o sentido de estarmos nessa vida e apenas sobrevive. Trabalha, come, dorme, passeia, mas por dentro não se sente vivo. O avanço tecnológico e intelectual nos trouxe muitos benefícios em termos intelectuais, de saúde e culturais, entretanto com ele tivemos uma perda substancial de contato com o inconsciente. Nossa cultura ocidental voltada para ”o fazer”, “o acontecer” e para a atitude extrovertida nos anestesiou e denegriu tudo o que é voltado para o subjetivo, para o interior. Perdemos a paciência em esperar que as coisas aconteçam no tempo certo. Observamos essa atitude ocide...

Ensaio sobre culpa

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Por: Hellen Reis Mourão A culpa é um sentimento básico da humanidade. Um sentimento denso, pesado e tóxico, que pode se manifestar de duas formas: uma é projetando nossos infortúnios em algum bode expiatório, ou é se voltando contra nós mesmos. A culpa é uma frustração causada pela distância entre o que não fomos e uma imagem criada pelo ego daquilo que achamos que deveríamos ter sido. Ela aprisiona o indivíduo, que se mantém voltado para o passado e a um papel de vitima dos outros e das circunstâncias. E ficar preso dessa forma significa nunca progredir, mantendo-se atados a sentimentos de raiva, angustia e vingança, chegando até a depressão. Além disso, a culpa é um sentimento de extrema arrogância. Ele se baseia em princípios egóicos de uma moral preestabelecida. Onde nos achamos donos da verdade, a ponto de querer definir o que é certo e errado. A culpa faz com que o indivíduo se submeta a uma punição para tentar se esquivar de sofrer uma punição ainda mai...

Considerações sobre a neurose

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Estava lendo Mitos de Criação da Marie Louise Von Franz quando me deparo com um trecho que chamou a atenção. Algo já comentado por Carl Jung sobre a neurose e o processo psicoterapêutico. Von Franz observa que nos mitos, quando um mundo novo vai ser criado, é sempre necessário um sacrifício. Alguém morre, ou um deus, ou gigante, ou uma criatura humanóide. A vitima, nesse caso, sempre está ligada a uma condição anterior que deve morrer para que um novo mundo, ou uma nova condição consciente, se apresente. Von Franz ainda salienta que cada passo adiante, visando à construção de mais consciência destrói o equilíbrio vivo em vigor até agora. E é ai que entra uma questão muito delicada: o quão difícil e doloroso é para o ego se separar de uma situação neurótica. Pois de certa forma a neurose gera uma espécie de equilíbrio, uma zona de conforto. O ego se apega a essa situação, pois em sua fantasia, ele enxerga o seu fim. E o ego tem medo do novo, tem medo de perder o co...

O Tempo

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Por: Hellen Reis Mourão Tempo! Quantas vezes nos deparamos com o problema do tempo? Gostaríamos de ter mais tempo para fazer mais coisas! O quanto não sonhamos com um futuro feliz! Sonhamos em encontrar a pessoa dos nossos sonhos, almejamos um emprego melhor, o carro do ano, tudo o que venha nos trazer felicidade...no futuro! Ou quantas vezes nos pegamos lamentando o passado, lembrando de nossas infelicidades, quando nossos corações foram partidos, quando fomos agredidos, abandonados, ou nos pegamos pensando em coisas que deveríamos ter feito, mas não fizemos. O tempo cronológico é uma invenção da consciência. Nosso ego, nossa mente é capaz de se locomover pelo para o passado e para o futuro. E o que é pior, vivemos constantemente neles. Raramente estamos no presente. Ekchart Tolle, em O Poder do Agora comenta; “Para o ego, o momento presente dificilmente existe. Só o passado e o futuro são considerados importantes. Essa total inversão da verdade explica por...

A Roda da fortuna e o processo de individuação

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  O trunfo número X do Tarot, conhecido como a Roda da Fortuna, na versão mais antiga do Tarot de Marselha, mostra uma roda de seis aros (ou seja, em forma de mandala), sendo girada por duas figuras não humanas e com outra figura, que se assemelha a uma esfinge, sentada em seu topo, aparentemente imóvel. A Roda se move incessantemente, com uma das figuras voltada para cima e a outra para baixo, simbolizando pares e opostos. Portanto é uma carta que simboliza os ciclos sucessivos da vida humana, como o movimento de ascensão e de queda. Bem como os pares de opostos presentes em nossa existência humana como o bem e o mal, alegria e tristeza, vida e morte, o negativo e o positivo. É uma carta de movimento, de mudança brusca de vida. Mudança essa desconhecida pelo sujeito Portanto esse é o trunfo que simboliza o destino humano. No Tarot Mitológico a Roda da Fortuna é representada pelas três Moiras, que sã...