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Heróis e heroínas - modelos arquetipicos

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Por: Hellen Reis Mourão Nos contos de fadas, encontramos a figura do herói, ou heroína. Uma figura para a qual torcemos e com a qual nos emocionamos. Suas peripécias e façanhas nos fazem sonhar e nos arrebatam da realidade em que vivemos. O herói é abstrato e nos mostra algo ideal. Geralmente seu nascimento não é habitual. Esse nascimento é comumente acompanhado de algo miraculoso, de diferente, e algumas vezes o casal parental não pode conceber. Outra característica marcante é que ele ou ela deve passar por certo numero de provas para poder alcançar seu objetivo. Mas esse fascínio que essas figuras nos causam é devido a um caráter irracional do herói. O herói e a heroína não são seres humanos comuns, são figuras arquetípicas. De acordo com Von Franz em O feminino nos contos de fadas, o herói e a heroína dos contos de fadas representam um ego arquetípico que é edificado pelo Self . Ele é o impulso latente para a produção do ego, por isso as crianças que estã...

Ensaio sobre culpa

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Por: Hellen Reis Mourão A culpa é um sentimento básico da humanidade. Um sentimento denso, pesado e tóxico, que pode se manifestar de duas formas: uma é projetando nossos infortúnios em algum bode expiatório, ou é se voltando contra nós mesmos. A culpa é uma frustração causada pela distância entre o que não fomos e uma imagem criada pelo ego daquilo que achamos que deveríamos ter sido. Ela aprisiona o indivíduo, que se mantém voltado para o passado e a um papel de vitima dos outros e das circunstâncias. E ficar preso dessa forma significa nunca progredir, mantendo-se atados a sentimentos de raiva, angustia e vingança, chegando até a depressão. Além disso, a culpa é um sentimento de extrema arrogância. Ele se baseia em princípios egóicos de uma moral preestabelecida. Onde nos achamos donos da verdade, a ponto de querer definir o que é certo e errado. A culpa faz com que o indivíduo se submeta a uma punição para tentar se esquivar de sofrer uma punição ainda mai...

A realidade está na sua consciência!

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Considerações sobre a neurose

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Estava lendo Mitos de Criação da Marie Louise Von Franz quando me deparo com um trecho que chamou a atenção. Algo já comentado por Carl Jung sobre a neurose e o processo psicoterapêutico. Von Franz observa que nos mitos, quando um mundo novo vai ser criado, é sempre necessário um sacrifício. Alguém morre, ou um deus, ou gigante, ou uma criatura humanóide. A vitima, nesse caso, sempre está ligada a uma condição anterior que deve morrer para que um novo mundo, ou uma nova condição consciente, se apresente. Von Franz ainda salienta que cada passo adiante, visando à construção de mais consciência destrói o equilíbrio vivo em vigor até agora. E é ai que entra uma questão muito delicada: o quão difícil e doloroso é para o ego se separar de uma situação neurótica. Pois de certa forma a neurose gera uma espécie de equilíbrio, uma zona de conforto. O ego se apega a essa situação, pois em sua fantasia, ele enxerga o seu fim. E o ego tem medo do novo, tem medo de perder o co...

A bruxa e a sedução

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Por: Hellen Reis Mourão Nessa nova safra de produções de filmes e séries com a temática de contos de fadas, uma questão interessante se apresenta na forma de uma figura: A figura da bruxa! Em todas as produções recentes, a bruxa, ou madrasta é sempre mais sedutora, mais interessante ou até mesmo mais bonita que a princesa. E se observarmos os contos de fadas mais famosos, como Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida, Rapunzel, a figura da bruxa está sempre presente. É uma figura que aparece repetidamente apenas mudando a roupagem. Mas porque as bruxas seduzem tanto? Porque elas atraem tanto o nosso imaginário? Para entendermos essa questão é importante atentarmos que se trata de um arquétipo. A bruxa/madrasta representa uma faceta do arquétipo da Grande Mãe. No arquétipo da Grande Mãe estão inseridas a bruxa ou madrasta (a mãe diabólica, terrível), a velha sábia e a deusa que representa a fertilidade (aspectos da mãe boa). A imagem da boa mãe representa tud...