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Pinocchio e o processo de individuação

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  Por: Hellen Reis Mourão      Com mais uma adaptação para o cinema do conto Pinocchio, gostaria de trazer alguns elementos do conto para vocês. Pinocchio é um conto de fadas italiano, escrito por Carlo Collodi. A história conta que Gepeto, um carpinteiro queria ser pai, e constrói um menino de madeira. Podemos observar nesse início, a criação vinda através da mente. Existe apenas o pai, que cria, a partir de uma ideia. Mas o menino ainda não tem alma, é de madeira. A alma é aquilo que nos torna humanos de fato, e é essa a busca e o anseio do menino. O pai cria sem a figura feminina aqui, que para a psicologia analítica representa a alma. Muitos de nós somos criados sem o contato com nossos instintos, apenas para darmos valor ao mental e racional. Nossas emoções, nosso corpo, e nossa alma, são soterrados, nos deixando igual Pinocchio, um ser de madeira, sem alma. Movidos apenas por ideais e crenças coletivas, que nos amarram, sem questionamentos. Sem alma, sem contat...

Contos de fadas e a separação do pai

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Por: Hellen Reis Mourão Nesse texto gostaria de falar de um tema bastante recorrente em mitos e contos de fadas: o noivo monstro ou animal. Encontramos esse tema em diversos contos como, por exemplos, o famoso, A Bela e a Fera e A andorinha que canta e pula dos irmãos Grimm e o mito de Eros e Psiquê. Neles a heroína acaba sendo prometida a um monstro (ou animal) pelo pai que rouba algo (uma flor do jardim por exemplo) dele. Por amor ao pai a moça aceita seu destino e o monstro se transforma por meio da fidelidade que a moça tem ao seu amor. No mito Eros e Psiquê por exemplo, o pai da moça a leva ao topo da montanha para se casar com um monstro. Eros, apesar de sua beleza é um monstro e ela é proibida de contemplar a sua bela face, seu aspecto positivo e sublime permanece escondido dela. Em A Bela e a Fera a moça só a vê a feiura aparente do marido que foi amaldiçoado por uma bruxa. Ela tem sentimentos ambíguos de nojo e atração ao mesmo tempo. Em algumas variantes de...

O amor nos contos de fadas

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O amor nos contos de fadas Por: Hellen Reis Mourão Quem ama ou já amou sabe o quanto isso é difícil. O encontro com o outro é permeado de dificuldades, encantos e desencantos. Nos contos de fadas vemos retratada essa jornada do encontro com o outro, com os dissabores e a luta necessários para o desenvolvimento da personalidade. Nos contos de fadas que culminam em um casamento há sempre uma jornada dolorosa que simboliza o desenvolvimento da personalidade do herói ou heroína. O casamento é sempre uma conquista árdua. No conto a Donzela sem mãos, dos irmãos Grimm, por exemplo, a heroína passa duas vezes pela separação do amado e duas celebrações de casamento. Em Rapunzel, há o encontro com o príncipe e logo uma separação onde ambos precisam viver no deserto até poderem se encontrar novamente. Os contos então parecem mostrar que não dá para encontrar assim de modo imediato o príncipe e logo se casar com ele. Isso contradiz os valores que nossa sociedade preg...

Runas e A jornada iniciática

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Por: Hellen Reis Mourão As runas são um sistema de letras utilizado para a escrita na língua germânica. Principalmente na Escandinávia, Ilhas Britânicas e Alemanha (regiões habitadas pelos povos germânicos) do século II ao XI. Os caracteres rúnicos têm sido encontrados gravados em pedras, e em menor número em ossos e peças de madeira, assim como em pergaminhos e placas metálicas . O alfabeto rúnico germânico primitivo tem 24 runas, e era utilizado nas atuais Alemanha, Dinamarca e Suécia. É conhecido como Futhark antigo (devido às suas primeiras seis letras serem 'F', 'U' 'Th', 'A', 'R', e 'K' - ᚠᚢᚦᚨᚱᚴ ). Além de alfabeto, as runas eram utilizadas como sistema de oráculo e para a magia. Isso faz das runas um complexo sistema iniciático, por onde os mistérios eram ensinados. A origem das runas é incerta, se perde no tempo. Mas a origem mitológica dos mistérios rúnicos é descrito no poema “Havamal”, como uma ...

A diferença entre Mitos e Contos de Fadas

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Por: Hellen Reis Mourão Na Psicologia Analítica o estudo dos mitos e dos contos de fadas possui uma importância capital no entendimento dos processos psíquicos que se desenvolvem no inconsciente coletivo. Ambos apresentam uma realidade sobrenatural, fabulosa e mágica. Contudo, existem diferenças importantes entre eles. MITOS Os mitos mostram como as coisas passaram a existir. Falam do gesto criador. As forças da natureza - como a noite, a chuva, o sol – eram caracterizadas por um deus ou deusa, que teve sua criação descrita na Mitologia. O mesmo ocorre com coisas mais abstratas como o amor, a guerra, etc. O mito trata então de uma ação criadora e de como o homem se relaciona com a criação, sendo ele mesmo também uma criação divina. No mito sobre a morte, por exemplo, vemos como nos tornamos mortais. Eles, portanto, explicam a existência de algo no mundo, explicando fatos que eram desconhecidos da ciência. CONTOS DE FADAS Os contos de fadas mostram uma si...

O Corvo – Conto dos irmãos Grimm

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Por: Hellen Reis Mourão Houve, uma vez, uma rainha cuja filhinha pequena, ainda de colo, era impertinente até não se aguentar. Certo dia, a menina estava tão mal humorada que era impossível aturá-la; a mãe lançou meio de todos os recursos para acalmá-la, mas em vão. Querendo distraí-la, a rainha abriu a janela e, vendo alguns corvos esvoaçando em volta do castelo, disse, num assomo de impaciência: - Gostaria que fosses um corvo, pelo menos estarias voando e brincando lá com os outros e me deixarias em paz. Mal acabou de pronunciar essas palavras, eis que a menina se transformou, subitamente, num corvo e saiu dos braços da mãe pondo-se a voar pela janela fora. Foi voando diretamente para a floresta, onde ficou durante muito tempo e seus pais nada mais souberam dela. Passados alguns anos, certo dia um jovem atravessava a floresta e, de repente, ouviu uma voz; olhou para todos os lados sem descobrir ninguém. A voz tornou a fazer-se ouvir, então olhando naquela direção, viu, p...