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Considerações sobre a neurose

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Estava lendo Mitos de Criação da Marie Louise Von Franz quando me deparo com um trecho que chamou a atenção. Algo já comentado por Carl Jung sobre a neurose e o processo psicoterapêutico. Von Franz observa que nos mitos, quando um mundo novo vai ser criado, é sempre necessário um sacrifício. Alguém morre, ou um deus, ou gigante, ou uma criatura humanóide. A vitima, nesse caso, sempre está ligada a uma condição anterior que deve morrer para que um novo mundo, ou uma nova condição consciente, se apresente. Von Franz ainda salienta que cada passo adiante, visando à construção de mais consciência destrói o equilíbrio vivo em vigor até agora. E é ai que entra uma questão muito delicada: o quão difícil e doloroso é para o ego se separar de uma situação neurótica. Pois de certa forma a neurose gera uma espécie de equilíbrio, uma zona de conforto. O ego se apega a essa situação, pois em sua fantasia, ele enxerga o seu fim. E o ego tem medo do novo, tem medo de perder o co...

A bruxa e a sedução

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Por: Hellen Reis Mourão Nessa nova safra de produções de filmes e séries com a temática de contos de fadas, uma questão interessante se apresenta na forma de uma figura: A figura da bruxa! Em todas as produções recentes, a bruxa, ou madrasta é sempre mais sedutora, mais interessante ou até mesmo mais bonita que a princesa. E se observarmos os contos de fadas mais famosos, como Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida, Rapunzel, a figura da bruxa está sempre presente. É uma figura que aparece repetidamente apenas mudando a roupagem. Mas porque as bruxas seduzem tanto? Porque elas atraem tanto o nosso imaginário? Para entendermos essa questão é importante atentarmos que se trata de um arquétipo. A bruxa/madrasta representa uma faceta do arquétipo da Grande Mãe. No arquétipo da Grande Mãe estão inseridas a bruxa ou madrasta (a mãe diabólica, terrível), a velha sábia e a deusa que representa a fertilidade (aspectos da mãe boa). A imagem da boa mãe representa tud...

A função inferior

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 Por: Hellen Reis Mourão A função inferior é nosso calcanhar de Aquiles, onde está a nossa ferida mortal, aquilo que não gostamos de ver em nós. Onde “pagamos mico”, nos embaraçamos. Aquilo que te fere, que te toca, que te da vontade de gritar, chorar...Sua ferida mortal! Sendo a porta do inconsciente quando cutucada se abre para a sombra, ativa complexos e detona o ego. É como pisar em formigueiro, em questão de segundos seu pé está lotado de formigas. As formigas são complexos que “engolem” o ego. Muitos me perguntam como assimilar a função inconsciente¿ Eu respondo: é impossível! Essa é uma idéia ilusória do ego, que podemos ”assimilar” a função inferior. Pois ela é o inconsciente. Ela é o portal por onde passam os nossos conteúdos sombrios. E é humanamente impossível assimilar todo o inconsciente. Cada vez que você se conscientiza de um conteúdo sombrio, logo vem outro. Somos completamente incapazes de exercer um controle consciente da função inferior, ...

A importância dos contos de fada

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 Por: Hellen Reis Mourão Durante toda a história da humanidade, o homem, mesmo não tendo consciência disso, procurou manter um relacionamento com o inconsciente coletivo e seus arquétipos. Entre os povos antigos isso se dava por meio da interpretação dos sonhos e das estórias contadas ao redor de fogueiras. Os contos de fada, assim como os mitos, as lendas e as fabulas, falam a linguagem da alma. São similares aos nossos sonhos e as nossas fantasias. Observe qualquer menina quando tem o contato com os contos pela primeira vez. Elas se encantam com as princesas, com as fadas, com as rainhas. Elas vivem aquilo em suas brincadeiras, em sua fantasia. Marie Louise Von Franz, uma das maiores expoentes no estudo dos contos de fada, diz que os contos são a expressão mais pura e mais simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo, pois eles representam os arquétipos na sua forma mais simples, plena e concisa (Von Franz, 2005). Quando nos tornamos adultos...